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Lá de cima...

O menino escolheu subir no pé de manga, que ficava no quintal de sua casa, até alcançar o galho mais alto. Lá da cima ele avistou o telhado das casas e percebeu que não entendia muita coisa sobre o mundo. Desde então ele procura respostas para as coisas que não entende. No mesmo momento seu melhor amigo o observava sentado na escada. Ele não entendia por que o menino teve essa obsessão por ver telhados. Para que subir até lá? Só para ver telhados? Eu consigo ver eles daqui de baixo! São vermelhos, com ondulações, são chatos.

Lá de cima o vento soprava no rosto do menino, aquela brisa acariciava sua pele suada. Lá em baixo o amigo suava e pedia para ele descer. - Vamos entrar, eu tô com sede, tá muito calor. O menino desceu e contou seus feitos, a descida foi complicada, causou vários arranhões em sua pele fina, foi complicado pular de um galho para o outro, em certo momento correu riscos ao pisar em um galho mais fino, mas que ao pisar em terra firma a sensação de satisfação era demais. O amigo não lhe dava ouvidos e só pensava que cansará de ouvir sobre as proezas dos telhados.

Depois desse dia a amizade deles nunca mais foi a mesma. O menino trombava em desafios, escolheu viver fora das sobras das mangueiras. Não entendia o conforto do amigo, não entendia por que a sombra era tão importante para ele. Os garotos cresceram, suas escolhas foram tornando-os dois desconhecidos. Não se reconhecem, as casas foram vendidas, a mangueira foi derrubada, hoje no terreno existe uma concessionária de automóveis. O amigo tornou-se um executivo de uma grande empresa, tem um carro importado, comprou uma casa de praia onde passa as férias com a família, e mandou plantar um pé de manga. Aguarda ansiosamente ele crescer para repousar no conforto de sua sombra. O menino continua por ai, não sabe o que quer, o que vai fazer, quando tem que fazer, mas não pode ver um pé de manga que sobe até o último galho pra ver o que acontece.

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Última Atualização ( 30 de janeiro de 2012 )
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---------Dentes não bóiam.--------------

Contículos para depois da ressaca.

57 anos de bíceps não firmes jamais mentiriam. O Tempo tinha sido impiedoso com Brigitte Bardot,por que não seria com ela. Ataquei-a com um beijo. Gosto de cigarro,lábios desabilidosos,língua ineficiente. Se eu tiver sorte, consigo um sexo oral sem ela por os dentes. Ela voltou ao baile, sabia de cor a poesia da Banda Calipso,na caixa de som os gritinhos dissonantes de Joelma pontuavam o dançar desengonçado da mulher.Mula manca,cintura fina,reta como a parede de um banheiro público. Minha impaciência é como um pedaço de carne de 2°preza entre os meus dentes.Desconforto.Incomodo.Copo vazio.Se eu tiver sorte ela não põem os dentes. Os deixa imersos.

De Rogério Farandóla.

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Última Atualização ( 27 de dezembro de 2011 )
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Ele imigrou. Todos imigram.


Desceu passo a passo aquela escada do ônibus interestadual como se descesse os degraus de uma pirâmide faraônica. Pisou na cidade que acontece no coração. Ele é todo sonho. Quer melhorar de vida, transformar o buraco negro da sua existência, em um quadro colorido do Van Gogh. São Paulo é sedução, é promessa de vida no seu coração. A prosperidade vem das gotas de suor que pingam no concreto. O trabalho vem, é pesado meu bem, dinheiro não tem. Ele mora longe, passa dias no vai e vem apertado. Tem hálito de fome. Ele bebe para esquecer o buraco que não para de enegrecer. A cachaça é fiel, o trabalho não é.
Sozinho, ele anda pela cidade a pé. Já não calça sapatos, os pés estão inchados, calejados, machucados. Crack é fumaça passageira, besteira pouca, pura asneira. A fumaça da boca sobe para o céu. No céu tem estrelas, tem promessas corriqueiras. O concreto não tem espuma, o vapor do metrô aquece o morador. O morador tem que imigrar, tem que voltar. Se não vota, volta. A pimenta era metáfora, nos olhos de quem dorme é ferida. Então volte, volte de onde veio. Volte para outro imigrar.

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Última Atualização ( 25 de novembro de 2011 )
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