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Se ah Algum Deus lá fora,Que Ele me traga Sapatos Novos PDF Imprimir E-mail

Após amigo sobreviver a grave acidente, artista plástico resolve colher depoimentos em vídeo sobre o que é o milagre, quando ele se depara com Deus e seus pensamentos existencialistas.

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Última Atualização ( 25 de novembro de 2010 )
Somos a inércia das coisas vazias. PDF Imprimir E-mail
 

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Etnografia - Ocupação PDF Imprimir E-mail

 

 

Quando cheguei em São Paulo, há dois anos atrás, cruzei a Av. Ipiranga com a Av. São João, procurando perceber se algo acontecia no meu coração. Nada aconteceu.

Hoje, dia 7 de outubro de 2010, o dia nasceu triste, dia de ventania, cruzo essas mesmas avenidas com pressa de chegar, sem percebe-las. Caminho aproximadamente cinquenta metros e já enxergo uma movimentação nas calçadas da Av. Ipiranga, Nº 925. São os integrantes do movimento sem-teto da Frente Popular para Moradia, e do MSTC (Movimento Sem Teto do Centro), que distribuem panfletos aos transeuntes, esclarecendo os motivos de sua ação.

No dia 4 de outubro de 2010, leio no site da revista “Caros Amigos”, que um grupo de pessoas foram despejadas de suas moradias e se mobilizaram para ocupar prédios abandonados na zona central de São Paulo, decidi realizar minha etnografia nesta ocupação. Pesquisei os contatos no site do movimento, e entrei em contato com o Sr. Osmar Borges, Coordenador geral do movimento sem-teto da Frente de Luta por Moradia. Sr. Osmar me indicou outra pessoa, Sra. Eloisa, que me convidou para visitar a ocupação no dia 7 de outubro, as 11:00 horas da manhã.

Ao me aproximar do prédio, uma mulher negra e sorridente me entrega um panfleto, com as informações sobre a ocupação. Me encosto em um poste de luz e leio o panfleto, enquanto isso observo a movimentação de pessoas e a abordagem de um senhor que se comunica com os transeuntes. Este senhor, também negro, era carismático e tinha uma voz potente, parecia muito confortável realizando aquela função de interlocutor do grupo, com a vizinhança local. Termino de ler e me aproximo de um jovem, pergunto quem é o coordenador, e ele me aponta uma senhora que está sentada próxima da porta, falando ao celular. Aguardo o final de sua ligação e me apresento, digo que sou estudande da ESP, que estou fazendo um trabalho acadêmico e gostaria de conhecer a ocupação. Ela prontamente se levanta, diz algumas palavras para um senhor ao seu lado, e pede para que eu a acompanhe. Entro no edifício, estamos no saguão principal, ela me apresenta para uma senhora, Dona Eliete, e diz: “ela vai te acompanhar na visita, fique a vontade”. No saguão tem uma mesa com algumas cadeiras, em cima da mesa uma lista de nomes, cartazes colados na parede com os dizeres: “Proibido fumar nos andares e nos apartamentos”, “Proibida a entrada de bebida alcoólica”, “Horários das portas: abertura 7:00 hs e fechamento 22:00 hs”.

Me apresento para Dona Eliete, ela muito simpática me cumprimenta, e caminhamos em direção á cozinha. Ela começa a me explicar como tudo está organizado, a cozinha fica no térreo, primeira porta a direita, o lugar tem a aparência de um antigo restaurante; O chão está muito molhado. Dona Eliete me explica que este prédio está fechado a 12 anos, não tem água, nem luz. A luz que ilumina o local foi improvisada por eles, “foi feito um gato”, diz ela. Não tem água, os canos estão entupidos, eles pegam água para a limpeza no comércio da vizinhança. Ela me conta que a vizinhança está acolhendo a “Frente de Luta” com muito respeito, inclusive cooperando com doações. Caminhamos para o fundo da cozinha, várias mulheres estão organizadas por funções, Dona Eliete me apresenta para a responsável pela alimentação. Todas são muito simpáticas, trabalham em condições precárias, as panelas e os utensílios são organizados sobre mesas improvisadas. O chão está encharcado, Dona Eliete me diz que estão com um vazamento no local, que precisa ser contido pela equipe de manutenção da Frente de Luta.

Nos afastamos da cozinha e Dona Eliete me explica como é organizada a “Frente de Luta”. No edifício da Av. Ipiranga são 1200 pessoas, dentre elas 178 crianças, todos são cadastrados e possuem carteirinha do movimento, as portas são lacradas com horários fixados para abertura e fechamento, após as 22:00 horas ninguém entra mais, se alguém chegar bebado também não entra, as equipes são divididas por função e possuem coordenadores, equipes de limpeza, alimentação, homens que retiram os entulhos, mulheres cuidam da creche, equipes externas conseguem água potável, tudo é muito organizado, e esta organização foi um dos pontos mais impressionantes da minha pesquisa.

Subimos para o primeiro andar do edifício, onde está organizada a creche. Em um espaço pequeno e improvisado, aparentando ser um antigo salão de festas, várias crianças brincam e desenham. Duas mulheres se revezam para cuidar de várias crianças, o cheiro de mofo é intenso. Olho para trás e vejo uma criança entrar em uma cozinha cheia de entulhos, Dona Eliete adverte uma das senhoras para que tome cuidado com os perigos que o lugar pode conter. A senhora diz que já olhou a cozinha, e que as crianças estão utilizando o espaço como banheiro. Dona Eliete diz que as crianças passam o dia na creche, as mães trabalham, em sua maioria, com reciclagem. O maior problema é a falta de brinquedos, para distrair as crianças.

Subimos mais um andar, chegamos aos apartamentos. Nas escadas cruzamos com outras pessoas da ocupação. O carpete do piso está sendo retirado, eles estão sujos, em muitos lugares úmidos, o que provoca o cheiro de fungo por todo o andar. O odor é forte, mistura de fungo com água sanitária. Dona Eliete me mostra um dos apartamentos, diz que cada um tem 18 m2, sala, banheiro e sacada. Nas portas do apartamento são escritos os nomes dos ocupantes. Nenhuma família fica sozinha nos apartamentos, eles são divididos por várias famílias, seis a oito pessoas por apartamento.

Subimos mais uns andares, cruzamos com um casal que Dona Eliete me apresenta, diz que são um casal, com filhos trigêmeos, todos despejados, e aparentam ter entre 23 a 30 anos. Dizem estar trabalhando nas obras do metrô em Itaquera, trabalham agachados retirando a tinta do chão, e outras sujeiras da obra, contam que a inauguração foi antecipada, por motivos eleitorais, e que por isso estão trabalhando 16 horas por dia, a mais de 20 dias seguidos, sem folga. Hoje é o primeiro dia folga, dos três que terão. Se despedem, e continuam subindo para o apartamento que estão ocupando.

Entramos em um apartamento onde mães e crianças estão deitadas em colchões no chão, pedimos licença e vamos conversar na sacada. Dona Eliete me dá maiores informações sobre o movimento, são 2.600 pessoas ocupando os edifícios: Avenida Ipiranga,799, Av. Prestes Maia, 911, Av. Nove de Julho,584, Av. São João, 88. Ela diz que em São Paulo existem 53 prédios em processo de desapropriação, e que o Estado ofereceu, na última negociação, incluir os ocupantes no projeto de 30 meses de bolsa aluguel, com o valor de R$ 300 reais. O movimento considera isso insuficiente, Dona Eliete diz: “Quem trabalha para comer, não paga aluguel”, e ela me conta que eles não possuem fiador, o mercado imobiliário quando percebe que são famílias despejadas, que recebem bolsa aluguel de R$ 300 reais, aumentam o valor do aluguel para R$ 450 reais, na intenção de impedir o contrato. Eles não querem morar no centro de São Paulo, querem a regularização dos terrenos na zonal leste de onde foram despejados, entre outras reinvidicações. As crianças que estão morando no centro, não estão frequentando as aulas, as mães estão sofrendo pressão do conselho tutelar.

Dona Eliete conta que os moradores de rua procuram a ocupação buscando guarida, o Movimento de Luta por Moradia é obrigado a negar abrigo, para a manutenção da organização interna. A prefeitura, não negocia com ocupações que dá abrigos a moradores de rua e desqualifica o movimento. Dona Eliete se emociona e chora, dizendo o quanto é difícil para eles negar as pessoas um lugar para dormir, se sobra comida eles dão, mas conclui afirmando que se não houver organização, sem excessões, a prefeitura não abre negociação com a “Frente de Luta”. Ela diz que já ouviu de representantes da prefeitura que “As pessoas são culpadas por estarem nessa situação”.

Descendo as escadas, Dona Eliete me conta que a Igreja está fornecendo água potável, e os banhos estão sendo organizados no Parque Dom Pedro II, de 5 em 5 pessoas. Uma funcionária que administra os banheiros da prefeitura, está solidária com a causa da Frente de Luta. Novamente estou no saguão principal, me despeço de Dona Eliete, ela me convida para voltar e participar do andamento da ocupação, agradeço a sua hospitalidade.

São 14:30 hs, caminho em dia de ventania, pelo cruzamento das avenidas da canção. Av. Ipiranga com Av. São João, e algo realmente acontece em meu coração.

http://www.portalflm.com.br/

Thelmo Corrêa

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Ode ao Burguês PDF Imprimir E-mail

"Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,

o burguês-burguês!

A digestão bem feita de São Paulo!

O homem-curva! o homem-nádegas!

O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,

é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!

os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!

que vivem dentro de muros sem pulos,

e gemem sangues de alguns mil-réis fracos

para dizerem que as filhas da senhora falam o francês

e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!

O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!

Fora os que algarismam os amanhãs!

Olha a vida dos nossos setembros!

Fará Sol? Choverá? Arlequinal!

Mas à chuva dos rosais

o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!

Morte às adiposidades cerebrais

Morte ao burguês-mensal!

ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!

Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!

"_ Ai, filha, que te darei pelos teus anos?

_ Um colar... _ Conto e quinhentos!!!

Mas nós morremos de fome!"

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!

Oh! purée de batatas morais!

Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!

Ódio aos temperamentos regulares!

Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!

Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!

Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,

sempiternamente as mesmices convencionais!

De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!

Dois a dois! Primeira posição! Marcha!

Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!

Morte ao burguês de giolhos,

cheirando religião e que não crê em Deus!

Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!

Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!..."

(Mário de Andrade)

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Última Atualização ( 25 de outubro de 2010 )
Solidariedade hipócrita PDF Imprimir E-mail

Solidariedade, é uma das palavras mais vulgarizadas na contemporaneidade. O seu sentido foi desmantelado pelas instituições, com finalidades escusas e corruptas. Os indivíduos vivem em sociedade por que criam laços, facções intelectuais, com o intuito de fortalecer e tornar impenetrável as oposições externas ao grupo. Assim, durante milhares de anos construímos o que hoje chamamos de civilização. Esta organização social propiciou a alguns o benefício do poder, as chamadas oligarquias, e para outros o poder da democracia, o chamado sufrágio universal.

Quando homens inescrupulosos descobrem o poder da democracia, entendem seu funcionamento, ou melhor, sua função. Utilizam o seu produto, o Estado, como instrumento de manipulação em benefício próprio. A ganância do homem, sempre, historicamente seu mau.

A sociedade então se divide em grupos, classes, especialidades, com funções distintas, buscando um único objetivo comum. Um sistema complexo de grupos sociais, coexistindo em espaços urbanos, caóticos e opressores. Então, qual seria o objetivo comum da sociedade? A paz? O lucro? A auto preservação?

A solidariedade está reduzida aos nichos sociais, ela sobrevive das migalhas do humano, que o sistema corrompido reserva ao indivíduo. Estas migalhas que restaram fortalecem os sentimentos, as esperanças, paixões, amores, paz. São migalhas reprodutoras, elas se multiplicam, e como Fênix recompõem a individualidade, fortalecem quem foi usurpado. Forte, ele volta ao sistema para novamente se corromper e empurrar a engrenagem com o próprio peito ensanguentado.

As castas estão definidas, as funções estabelecidas, as instituições fortalecidas, o povo não é soberano, o Estado é instrumento de dominação, a minoria está no poder e a solidariedade, moribunda.

Para maioria resta a culpa moral da inatividade. O assentamento do conformismo e da estagnação. Todos sentados esperam o líder, o salvador, divino ou moral, aquele que possui a sabedoria do que é melhor para todos nós. Ele representará todos nós, pobres indefesos.

Assim nascem os líderes, dependemos de seu controle, dependemos que ele aprenda a controlar sua ganância e nos governe dignamente.

Afinal o que queremos? A paz? O lucro? Ou a auto preservação?

Eu não sei.

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Última Atualização ( 24 de outubro de 2010 )
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