Início

Crise intelectual no país emergente

Minha sensação é que as pessoas não pensam por si só. O ato de construir um pensamento crítico está sempre mediado por intermédios do conhecimentos científicos, conhecimento popular, vulgo senso comum, ou pela magnífica e sugestiva mídia jornalesca.

Pessoas morrem no trânsito. Foi para o trânsito sabendo que era perigoso. Andou pela Av. Paulista de bicicleta e foi atropelada por um ônibus, também, lá não tem espaço para ciclista. Se no trânsito existe uma hierarquia, onde o ônibus coage o carro, que coage a moto, que coage a bicicleta, que coage o pedestre, o problema está exposto na estrutura. Aos domingos e feriados o Elevado Costa e Silva, vulgo “Minhocão” provoca uma nova experiência onde pedestres e ciclistas compartilham o espaço público. Nessa estrutura não há conflito, então o problema está na inclusão dos automóveis e toda a lógica neo-liberal que esta sociedade do automóvel acarreta.

Se o Brasil está em crise, produz automóveis, aumenta a produção de peças, reduz imposto, a Petrobras investe milhões em tecnologia para combustível, gera-se empregos, este cenário é histórico, desde de Getúlio Vargas até nosso presidente metalúrgico. O modelo é simples: compra-se parlamentares através de lob, doações para campanhas eleitorais, estes só legislam em detrimento de seus interesses, as montadoras estrangeiras corrompem o Estado brasileiro com uma enxurrada de veículos poluidores, por que em seus países de origem este modelo econômico é ultrapassado. Serve para países com mentalidade de “sub-desenvolvidos”.

Os europeus tem autobans, sistema de trens unificados e metrôs que funcionam, são amplas linhas que cobrem centros e periferias, possuem políticas pública que incentiva bicicletas, ciclovias, pagam para quem não utiliza carro, os investimentos não param e as exportações também não.

Enquanto isso no Brasil o discurso é de país emergente, democrático, liberal. Sempre o país do futuro. Somos o reflexo, distorcido do espelhamento com as sociedades desenvolvidas. Queremos ser o que eles são, sem seguir os mesmos modelos, sem repensar nossa condição e nossa diferenciação. Somos uma tentativa, nada mais do que um projeto de país com ideais de grandeza e mentalidade de submissos.

Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (39) | Publique este artigo no seu site | Visto: 77

Torre de Babel que nós devemos derrubar.

Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (46) | Publique este artigo no seu site | Visto: 131

Lá de cima...

O menino escolheu subir no pé de manga, que ficava no quintal de sua casa, até alcançar o galho mais alto. Lá da cima ele avistou o telhado das casas e percebeu que não entendia muita coisa sobre o mundo. Desde então ele procura respostas para as coisas que não entende. No mesmo momento seu melhor amigo o observava sentado na escada. Ele não entendia por que o menino teve essa obsessão por ver telhados. Para que subir até lá? Só para ver telhados? Eu consigo ver eles daqui de baixo! São vermelhos, com ondulações, são chatos.

Lá de cima o vento soprava no rosto do menino, aquela brisa acariciava sua pele suada. Lá em baixo o amigo suava e pedia para ele descer. - Vamos entrar, eu tô com sede, tá muito calor. O menino desceu e contou seus feitos, a descida foi complicada, causou vários arranhões em sua pele fina, foi complicado pular de um galho para o outro, em certo momento correu riscos ao pisar em um galho mais fino, mas que ao pisar em terra firma a sensação de satisfação era demais. O amigo não lhe dava ouvidos e só pensava que cansará de ouvir sobre as proezas dos telhados.

Depois desse dia a amizade deles nunca mais foi a mesma. O menino trombava em desafios, escolheu viver fora das sobras das mangueiras. Não entendia o conforto do amigo, não entendia por que a sombra era tão importante para ele. Os garotos cresceram, suas escolhas foram tornando-os dois desconhecidos. Não se reconhecem, as casas foram vendidas, a mangueira foi derrubada, hoje no terreno existe uma concessionária de automóveis. O amigo tornou-se um executivo de uma grande empresa, tem um carro importado, comprou uma casa de praia onde passa as férias com a família, e mandou plantar um pé de manga. Aguarda ansiosamente ele crescer para repousar no conforto de sua sombra. O menino continua por ai, não sabe o que quer, o que vai fazer, quando tem que fazer, mas não pode ver um pé de manga que sobe até o último galho pra ver o que acontece.

Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (43) | Publique este artigo no seu site | Visto: 115

Última Atualização ( 30 de janeiro de 2012 )
[projetotorresgemeas]

[projetotorresgemeas] from [projetotorresgemeas] on Vimeo.


http://projetotorresgemeas.wordpress.com/

Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (42) | Publique este artigo no seu site | Visto: 140

Leia mais...
---------Dentes não bóiam.--------------

Contículos para depois da ressaca.

57 anos de bíceps não firmes jamais mentiriam. O Tempo tinha sido impiedoso com Brigitte Bardot,por que não seria com ela. Ataquei-a com um beijo. Gosto de cigarro,lábios desabilidosos,língua ineficiente. Se eu tiver sorte, consigo um sexo oral sem ela por os dentes. Ela voltou ao baile, sabia de cor a poesia da Banda Calipso,na caixa de som os gritinhos dissonantes de Joelma pontuavam o dançar desengonçado da mulher.Mula manca,cintura fina,reta como a parede de um banheiro público. Minha impaciência é como um pedaço de carne de 2°preza entre os meus dentes.Desconforto.Incomodo.Copo vazio.Se eu tiver sorte ela não põem os dentes. Os deixa imersos.

De Rogério Farandóla.

Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (34) | Publique este artigo no seu site | Visto: 126

Última Atualização ( 27 de dezembro de 2011 )
Leia mais...
Ele imigrou. Todos imigram.


Desceu passo a passo aquela escada do ônibus interestadual como se descesse os degraus de uma pirâmide faraônica. Pisou na cidade que acontece no coração. Ele é todo sonho. Quer melhorar de vida, transformar o buraco negro da sua existência, em um quadro colorido do Van Gogh. São Paulo é sedução, é promessa de vida no seu coração. A prosperidade vem das gotas de suor que pingam no concreto. O trabalho vem, é pesado meu bem, dinheiro não tem. Ele mora longe, passa dias no vai e vem apertado. Tem hálito de fome. Ele bebe para esquecer o buraco que não para de enegrecer. A cachaça é fiel, o trabalho não é.
Sozinho, ele anda pela cidade a pé. Já não calça sapatos, os pés estão inchados, calejados, machucados. Crack é fumaça passageira, besteira pouca, pura asneira. A fumaça da boca sobe para o céu. No céu tem estrelas, tem promessas corriqueiras. O concreto não tem espuma, o vapor do metrô aquece o morador. O morador tem que imigrar, tem que voltar. Se não vota, volta. A pimenta era metáfora, nos olhos de quem dorme é ferida. Então volte, volte de onde veio. Volte para outro imigrar.

Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (47) | Publique este artigo no seu site | Visto: 188

Última Atualização ( 25 de novembro de 2011 )
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo > Fim >>

Resultados 1 - 7 de 248